História da Freguesia Couto De Dornelas

O orago desta freguesia é S. Pedro. Fica situada no extremo ocidental do concelho. É constituída por sete povoações. Tem 584 pessoas (censos de 1991). Anteriormente foi sede de concelho, extinguindo se após a constituição do actual concelho de Boticas. A sua anterior designação era Couto de Dornelas. Foi constituído Couto do arcebispado de Braga, por D. Afonso Henriques, 1.° rei de Portugal, ao qual foram concedidos privilégios especiais. Segundo os relatos e factos transcritos nas memórias paroquiais de 1758, D. Henrique, o pai de D. Afonso Henriques, aquando das suas lutas contra os Sarracenos, encontrou nesta terra, então designada cidade Genestosa, tanta e invulgar resistência, que prometeu dar esta terra à virgem Santíssima Nossa Senhora Santa Maria do Hospital se conseguisse expulsá-los. Os seus intentos foram alcançados e mais tarde, em resultado desse facto, D. Afonso Henriques foi chamado pelo seu pai, à cidade de Astorga e incumbido de dar cumprimento à sua promessa. Mais tarde, com a presença de D. Plazio, Arcebispo de Braga e do próprio D. Afonso Henriques, foi constituído este Couto. O seu topónimo "Dornelas" significa dorna pequena que representava a medida de mel ou cera que a freguesia anualmente entregava à Sé de Braga como contributo. À porta da igreja paroquial, situada no lugar de Vila Grande encontra se um exemplar dessas dornas. A julgar pela existência de importantes vestígios castrejos e ainda da antiga cidade de Gestenosa (Gestosa) fica provado que esta zona foi muito povoada, pelo menos desde os tempos pró históricos. No lugar de Vila Grande, está localizada a sede da Junta de freguesia, cemitério, Igreja Paroquial e o pelourinho considerado imóvel de interesse público pelo Decreto 23122 de 11 de Outubro de 1933. Neste lugar realiza se uma das mais características e tradicionais festas populares e comunitárias, vulgarmente designada por festa das "papas". Segundo a lenda, aquando da 2.a invasão francesa, S. Sebastião fez um "milagre" evitando que os soldados de Napoleão entrassem na sua terra e os espoliassem dos seus haveres. Pela obtenção deste "favor" e em jeito de agradecimento um conjunto de famílias desta povoação, mantém a tradição secular, que consiste em oferecer uma refeição composta de pão, arroz e carne de porco, que depois de benzida é servida gratuitamente a todos os moradores e forasteiros, no dia 20 de Janeiro de cada ano. O trabalho e despesa com a realização desta festa tem aumentado na proporção do crescimento anual e gradual de visitantes. Nesta freguesia existem cinco capelas. No lugar de Antigo dedicada a São Caetano. No lugar de Vila Pequena a padroeira é Nossa Senhora das Neves. No lugar de Giestosa o seu orago é de Nossa Senhora do Bom Despacho e São Bento. No lugar de Lousas o seu padroeiro é São Marcos. Existe uma outra capela dedicada a Santo Antão, situada no monte de Terreiro, junto à actual estrada Nacional 311, que liga Boticas à vila de Salto. Referem as memórias paroquiais de 1758, a respeito desta capela, como sendo muito antiga e que havia tradição ter sido igreja matriz ainda no tempo dos mouros. Aí se refere também que antes das obras de remodelação, esta tinha adro em redor tapado, forma de corpo de igreja e capela mor mas tudo em ponto pequenino. Por ocasião das festas, em honra de Santo Antão, protector dos animais, realiza se no próprio local, um leilão das ofertas, habitualmente muito concorrido e disputado, pelos amantes da boa carne de porco, fumada, particularmente pés e orelheiras. Antigo, Espertina, Lousas, Casal (antigamente designada Casal de Guimbroa), Vila Pequena e Giestosa são as restantes aldeias que juntamente com a de Vila Grande constituem a freguesia do Couto, a maior em extensão do concelho de Boticas e das maiores em número de habitantes. Actualmente existe nesta freguesia um centro social para apoio aos mais idosos. Os seus solos são bastante produtivos. O topónimo Giestosa traduz a existência de giestas. É um dos lugares mais típicos e menos adulterados do concelho de Boticas e do país, onde a história, antiguidade e ruralidade se misturam e conservam quase intactos, merecendo este facto, atenção especial, numa perspectiva de conservação, valorização e aproveitamento daquele lindo recanto, para fins turísticos ou outros.

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